O que aconteceu com o DeepSeek, a IA chinesa que prometia desafiar o ChatGPT?
No início de 2025, o mundo da inteligência artificial foi pego de surpresa pelo lançamento do DeepSeek, um assistente de IA desenvolvido pela empresa chinesa que rapidamente se posicionou como um forte concorrente do ChatGPT, da OpenAI. A ferramenta se destacou por seu desempenho promissor e, principalmente, por um custo de desenvolvimento significativamente menor, levantando expectativas de uma revolução no mercado.
No entanto, a euforia inicial deu lugar a um silêncio preocupante. O esperado lançamento da nova geração, o DeepSeek R2, foi adiado, gerando incertezas sobre o futuro da companhia. Fatores como a insatisfação do CEO com o desempenho do novo modelo e, mais grave, suspeitas sobre o uso de chips de alta tecnologia proibidos para exportação pela Nvidia, lançaram uma sombra sobre a trajetória ascendente do DeepSeek.
A situação se complicou ainda mais com a reportagem do site The Information, que apontou o uso de chips da série Blackwell, banidos pelos Estados Unidos para a China, no treinamento dos modelos de IA da DeepSeek. Essa acusação, somada a um contexto de tensões comerciais e tecnológicas entre EUA e China, intensificou o escrutínio sobre as operações da empresa. Conforme informações divulgadas pelo The Information, a Nvidia declarou que investiga qualquer alegação de desvio de seus produtos, embora considere o contrabando improvável.
A ascensão meteórica e o declínio inesperado
O aplicativo do DeepSeek, lançado em 20 de janeiro, rapidamente alcançou o topo do ranking da App Store da Apple, demonstrando um potencial inicial impressionante. A ferramenta ganhou espaço por ser vista como uma alternativa viável e de baixo custo ao ChatGPT. Enquanto a OpenAI investiu cerca de US$ 5 bilhões em 2024, o DeepSeek foi desenvolvido com um custo estimado de apenas US$ 5,6 milhões, uma diferença abissal que chamou a atenção do mercado.
Esse lançamento inicial chegou a ser comparado ao “momento Sputnik”, uma referência ao lançamento do satélite soviético em 1957 que pegou os Estados Unidos de surpresa e impulsionou a corrida espacial. Na ocasião, gigantes americanas de tecnologia viram seu valor de mercado despencar em mais de US$ 1 trilhão, temendo a liderança soviética em tecnologia.
Atrasos e o fantasma dos chips proibidos
O adiamento do lançamento do DeepSeek R2, inicialmente previsto para maio, foi atribuído à insatisfação do CEO Liang Wenfeng com o desempenho do novo modelo, segundo o The Information. A complexidade no desenvolvimento do novo modelo também é dificultada pela estrutura menor da DeepSeek em comparação com seus rivais, especialmente no que diz respeito ao acesso a chips de ponta para o treinamento de sistemas de IA.
A polêmica envolvendo o uso de chips Blackwell, banidos pelos EUA, adicionou uma camada de preocupação. A proibição visa impedir que a China desenvolva tecnologias de IA avançadas que possam representar uma ameaça à segurança nacional americana. A possibilidade de a DeepSeek ter utilizado essa tecnologia proibida levanta questões sobre a origem de seus avanços e a possível violação de sanções internacionais.
O contexto político e a venda de chips H200
Curiosamente, dias antes da reportagem sobre o uso de chips banidos, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou a possibilidade de autorizar a Nvidia a vender chips H200 para a China. Os chips H200, lançados no segundo trimestre de 2024, são considerados cerca de 18 meses inferiores às tecnologias mais avançadas da Nvidia. Trump afirmou que a venda seria permitida para “clientes aprovados na China e em outros países, sob condições que garantam uma segurança nacional sólida”.
Essa movimentação política, embora voltada para modelos de chips menos avançados, ocorre em um momento delicado, onde a China busca acelerar seu desenvolvimento em IA e os EUA buscam manter sua liderança tecnológica e de segurança. O futuro do DeepSeek, portanto, parece estar intrinsecamente ligado não apenas à sua capacidade de inovação, mas também às complexas relações geopolíticas e às regulamentações sobre o comércio de tecnologia.
O futuro incerto do DeepSeek
O interesse em buscas pelo DeepSeek, que teve um pico após o lançamento do aplicativo, não conseguiu manter o ritmo observado no início do ano, segundo dados do Google Trends. A incerteza sobre o lançamento do DeepSeek R2 e as suspeitas sobre o uso de chips proibidos criam um cenário desafiador para a empresa chinesa.
Enquanto o mercado aguarda por atualizações sobre o desenvolvimento do DeepSeek R2 e a resolução das investigações sobre o uso de chips, a trajetória da empresa serve como um estudo de caso sobre os desafios e as complexidades do cenário global de inteligência artificial, onde inovação, competição e geopolítica se entrelaçam de forma cada vez mais intensa.
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