O Alerta Vermelho para Planejamentos de Marca Ignorando a Revolução da IA
Se sua empresa ainda está traçando o plano de marca e reputação para 2026 sem considerar a inteligência artificial agêntica, é hora de recalibrar a rota. O que parecia uma projeção distante, agora bate à porta, e adaptar a estratégia à era da IA não é mais uma opção, mas sim a chave para não ficar para trás.
O Que é IA Agêntica e Por Que Ela Importa?
Antes de mergulharmos nas implicações estratégicas, é fundamental entender o que significa IA agêntica. Diferente das IAs que apenas respondem perguntas ou geram textos, a IA agêntica opera em um nível superior. Ela é capaz de:
- Perceber o ambiente ao seu redor.
- Planejar sequências complexas de ações.
- Tomar decisões autônomas.
- Executar tarefas completas para atingir objetivos.
- Aprender e adaptar seu comportamento continuamente.
Essa capacidade de autonomia e proatividade redefine a maneira como interagimos com a tecnologia e, consequentemente, como as marcas devem se posicionar.
A Nova Dinâmica de Busca: Do Google à IA Conversacional
Pense em sua própria rotina de pesquisa. Você provavelmente já se encontra dividindo sua atenção entre os tradicionais mecanismos de busca, como o Google, e as plataformas de IA conversacional, como Gemini, Perplexity ou Grok. Essa dualidade não é um acaso, mas sim um reflexo da evolução do comportamento do usuário.
Quem adota essa nova abordagem de pesquisa está na vanguarda da curva de adoção tecnológica, a famosa Curva de Rogers. Essa tendência de sofisticar as buscas por meio de contextos e conversas com IAs está se consolidando rapidamente. A forma como as pessoas buscam informações está mudando, e as marcas precisam acompanhar essa metamorfose.
O Declínio dos “10 Blue Links” e a Ascensão das Experiências em IA
Análises de mercado, que incluem dados de gigantes como Gartner, Semrush e Similarweb, apontam para um futuro não tão distante onde as experiências de busca impulsionadas por IA – como as oferecidas por ChatGPT, Gemini, Perplexity, Claude, Copilot e a própria SGE do Google – podem não apenas competir, mas superar a busca tradicional em termos de geração de tráfego. A projeção é de uma queda significativa, entre 30% a 50%, nos cliques para os resultados tradicionais (“10 blue links”) em comparação com o início dos anos 2020.
Embora o Google ainda ostente uma dominância avassaladora nas buscas globais, com cerca de 90% em 2025, o crescimento das plataformas de IA é exponencial. De uma presença quase nula em 2022, elas já representam aproximadamente 5% do mercado hoje. Esse marco inicial sinaliza uma aceleração dramática a partir de 2026, com projeções de paridade com a busca tradicional até o final da década.
A Adoção Acelerada da IA e o Contexto Brasileiro
A velocidade com que as ferramentas de IA como motor de busca estão sendo adotadas é impressionante. Estima-se que elas alcancem 50% de penetração global em poucos anos, superando a velocidade de adoção de tecnologias transformadoras como a internet, PCs e smartphones. Essa rapidez exige das empresas uma resposta ágil.
No Brasil, essa tendência é ainda mais acentuada. Uma pesquisa global realizada pelo Google em parceria com a Ipsos, intitulada “Our Life with AI”, revelou que, em 2024, 54% dos brasileiros já haviam utilizado IA generativa, superando a média global de 48%. Esse dado reforça o viés de adoção e a importância de integrar a IA nas estratégias de comunicação e marketing no país.
O Novo Hábito de Busca: “Googlar” vs. “IAr”
Na prática, o que observamos é uma sobreposição dos hábitos de busca. As máquinas de busca baseadas em IA não estão apenas complementando, mas sim redefinindo a forma como os usuários encontram informações. O ato de “googlar” está gradualmente cedendo espaço para o “IAr”, um novo verbo que representa a interação com inteligências artificiais para obter respostas e realizar tarefas.
Dentro do próprio ecossistema do Google, os “AI Overviews” e resumos generativos, integrados à Search Generative Experience (SGE), já aparecem em cerca de 15% a 18% das buscas globais, com picos que ultrapassam 20% em 2025. Esses recursos reduzem a necessidade de clicar em múltiplos links, alterando o fluxo tradicional de navegação.
Implicações Estratégicas para 2026
Diante desse cenário em rápida mutação, as estratégias de marca para 2026 precisam incorporar:
- Otimização para IA Generativa (GEO): Assim como o SEO otimizou para motores de busca, o GEO será fundamental para garantir que o conteúdo da sua marca seja descoberto e compreendido pelas IAs. Isso envolve não apenas palavras-chave, mas também a criação de conteúdo claro, contextualizado e que responda a perguntas complexas de forma direta.
- Conteúdo Conversacional: As IAs prosperam com conversas. Produzir conteúdo que se assemelhe a um diálogo, antecipando as perguntas dos usuários e oferecendo respostas completas e contextualizadas, será crucial.
- Reputação em Ambientes de IA: A reputação de uma marca não será mais apenas construída em sites e redes sociais, mas também na forma como ela é representada e discutida pelas IAs. A monitorização e a gestão da percepção em plataformas de IA se tornarão essenciais.
- Personalização Extrema: A IA agêntica permite um nível de personalização sem precedentes. As marcas precisarão entender como entregar valor de forma hiperpersonalizada para cada indivíduo, antecipando suas necessidades.
- Automação Inteligente: Utilizar a IA agêntica para automatizar tarefas de marketing, atendimento ao cliente e até mesmo para gerar insights estratégicos, liberando equipes para focarem em atividades de maior valor agregado.
Conclusão: O Futuro Não Espera
Ignorar a ascensão da IA agêntica e a mudança nos hábitos de busca é um risco que nenhuma empresa pode se dar ao luxo de correr. As estratégias de marca para 2026 que não estiverem alinhadas com essa nova realidade correm o sério risco de se tornarem obsoletas antes mesmo de serem implementadas.
A adaptação exige visão estratégica, investimento em novas competências e uma disposição genuína para abraçar a inovação. O futuro da comunicação e da construção de marca já começou. Sua empresa está preparada para ele?
